Preços do milho e soja despencam no mercado
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- Marciano Carraro lamenta a queda dos preços, especialmente da soja
CULTIVO Produtores vivem momento de prejuízo no campo com as constantes quedas nos preços pagos pelos grãos. Um dos fatores tem relação com a demanda e a oferta
Os últimos meses foram de quedas constantes nos preços praticados nas culturas de milho e soja em todo o país. Para exemplificar, observamos os preços agropecuários praticados pela Copérdia.
Atualmente, a saca de 60 quilos de milho é comercializada a R$ 69,80 e a da soja, a R$ 124. No início do ano, as cotações estavam na casa dos R$ 100 e R$ 160 respectivamente.
Cenário delicado para os produtores de grãos, mas otimista para as agroindústrias de carne suína, aves e produtos lácteos. Conforme o gerente de negócios da área de cereais da Copérdia, Jarles Thums, quando os preços caem, quem produz tem uma margem de lucro menor. “Muitas vezes acaba zerando a margem, mas por outro lado beneficia as agroindústrias, porque vinham há um bom tempo com as margens muito apertadas ou até negativas devido ao alto custo dos cereais”.
Mas o que tem feito os preços reduzirem tanto? Um dos principais fatores é a relação entre demanda e oferta. Jarles Thums comenta que a safra 2022/23 da soja tende a ser recorde no Brasil, com cerca de 154 milhões de toneladas do grão. Além disso, há expectativa de produção recorde nos Estados Unidos na temporada 2023/24. “Mesmo com a seca na Argentina, o preço começou a cair principalmente porque há uma demanda um pouco menor da China, uma oferta maior e uma pressão nos preços. Geralmente quem precisa fazer o consumo, ou seja, as indústrias, pressionam os preços para baixo, porque tem uma maior oferta de soja nesse momento. Outro fator que tem entrado em cena é o dólar, que estava sempre acima de US$ 5,10 e hoje está casa de US$ 4,80. Então, impacta diretamente nos preços dos cereais”, destaca o especialista.
No milho a expectativa é de boa colheita, mas há outras variáveis. “A gente sabe que tem uma safrinha vindo e ela é bastante grande. Por hora, se não tiver geada nesses próximos dias, vai se confirmar 100%. A princípio a preocupação dentro do país é o espaço de estocagem. Então o produtor tem que ficar muito atento, porque se realmente a safrinha se confirmar e a exportação não ocorrer, pode ter um pouco mais de pressão no mercado no curto prazo”. Jarles acrescenta que o mercado é um pouco mais estável para a soja. “No milho vai depender muito do espaço da exportação na hora que acontecer o forte da colheita da safra no Mato Grosso do Sul e no Mato Grosso”.
A recomendação para o produtor é analisar. “A gente sempre recomenda para o produtor, que ele faça a conta da relação de troca dos insumos com o milho ou soja. A gente sempre recomenda também que ele trave os custos, para não correr o risco de (como aconteceu agora), num cenário um pouco mais adverso com oferta maior de grãos, o mercado cair. Quando o momento é mais benéfico, dá pra arriscar no mercado. Mas o produtor deve sempre fazer as contas e as travas, porque no mercado mundial a volatilidade é muito grande”.
Preocupação
O produtor Marciano Carraro, morador de linha Bonita, interior de Seara, teve prejuízos com a baixa no mercado da soja. Na colheita da última safra, em março deste ano, os custos estavam altos e na hora de vender a produção, baixaram os preços do grão. Com relação ao milho, também houve prejuízos, em função da seca e da cigarrinha. Na propriedade, são 19 hectares de soja e 12 de milho. A expectativa para a próxima safra, segundo Marciano, é positiva. “Se continuar assim, vai dar boa porque por mais que os preços tenham diminuído, os custos também baixaram. Nós sofremos agora porque pagamos alto e na hora de vender estava baixo, então não tivemos lucro, só despesa”.
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