Evento dedicado à cultura alimentar
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- Ezequiel compartilhou conhecimento
Técnico da CrediSeara, Ezequiel Giaretta, participou do Terra Madre na Itália.
O alimento vai muito além de saciar a fome. Carrega histórias, preserva culturas, movimenta comunidades e pode ser um poderoso instrumento de transformação social e ambiental. Com essa compreensão, Ezequiel Giaretta, porta-voz do movimento Slow Food e representante da Crediseara, participou do Terra Madre Salone del Gusto 2026, em Turim, na Itália, trazendo na bagagem conhecimentos, experiências e novas perspectivas para fortalecer a cultura alimentar e a produção artesanal na região.
Considerado o maior evento internacional dedicado à cultura alimentar, à biodiversidade e à sustentabilidade, o Terra Madre é uma realização do Slow Food, em parceria com a Prefeitura de Turim e a Região do Piemonte. O encontro reúne produtores, pesquisadores, cozinheiros, ativistas e representantes de comunidades alimentares de diferentes partes do mundo em torno de uma causa comum: construir sistemas alimentares mais saudáveis, sustentáveis e justos. A experiência foi marcada pela diversidade de sabores e iniciativas que demonstram na prática, que é possível produzir com qualidade, respeitando as pessoas, os territórios e o planeta.
Em meio a representantes de 138 países, Ezequiel foi o único de Santa Catarina. Do Brasil, havia somente 28 participantes. Ao longo de quatro dias, o Terra Madre promoveu mais de 100 conferências com temáticas relacionados à alimentação. O searaense também participou como expositor em uma dessas atividades, apresentando a experiência dos produtores artesanais vinculados à Fortaleza dos Queijos de Leite Cru.
A iniciativa integra o esforço do movimento Slow Food para proteger alimentos, conhecimentos e práticas produtivas que representam um patrimônio cultural e gastronômico. No caso dos queijos artesanais, o trabalho valoriza a identidade dos produtores, as características dos locais onde são feitos e a continuidade de uma tradição que conecta gerações. “Foi uma imersão intensa, que renova a esperança de que o alimento bom, limpo e justo tem cada vez mais espaço para se fortalecer. Percebemos que o consumidor está buscando isso”.
Novidade
Esta foi a primeira vez que o Terra Madre aconteceu em formato de assembleia, em um espaço aberto que remete às feiras de produtos coloniais, com bancas distribuídas por uma ampla praça de cerca de dois quilômetros quadrados, segundo o searaense, reunindo cerca de 900 bancas com produtos elaborados de acordo com os princípios defendidos pelo movimento. Mais de um milhão de pessoas circulou pela exposição, um público dez vezes maior do que o da edição anterior, conforme o porta-voz. Até o domingo, último dia da programação, todos os produtos disponíveis haviam sido comercializados. “Não sobrou um!”, relata.
O resultado demonstra a força de uma relação cada vez mais valorizada, a que aproxima quem produz de quem consome, permitindo conhecer a origem, os métodos de produção e as histórias que existem por trás de cada produto. Nesse contexto, o Slow Food defende o princípio do “bom, limpo e justo”. São alimentos saborosos e de qualidade, produzidos de maneira responsável e comercializados em condições que respeitem produtores, consumidores e comunidades. Filosofia que dialoga diretamente com os propósitos do Setembro Verde, ao ampliar a reflexão sobre alimentação consciente, sustentabilidade e valorização da produção local.
A participação de Ezequiel Giaretta reforça a conexão entre o movimento internacional e as iniciativas desenvolvidas na região. Nesse trabalho, a Fortaleza dos Queijos de Leite Cru ocupa lugar estratégico. A proposta é valorizar os produtores, proteger conhecimentos tradicionais e dar visibilidade a alimentos que expressam características próprias dos locais onde são feitos, preservando suas histórias. Ele contou que está programado para dezembro o relançamento da Fortaleza dos Queijos à base de Leite Cru, durante o Terra Madre Day, quando as comunidades Slow Food de diferentes lugares promovem atividades descentralizadas. A ocasião também deverá marcar a formalização do Convívio Verde, iniciativa voltada ao resgate cultural e à valorização da diversidade alimentar de Seara.
Ao retornar, o porta-voz do Slow Food traz a convicção de que há espaço para ampliar esse movimento e promover iniciativas que unem tradição e inovação. Afinal, quando um alimento preserva sua origem, respeita quem o produz e oferece qualidade a quem o consome, ele deixa de ser apenas um produto, torna-se parte de uma história que merece ser protegida e compartilhada.
Representatividade
Em relação à passagem por Turim, o searaense Ezequiel Giaretta afirmou que traz consigo muito mais do que lembranças de uma cidade encantadora e de um evento de dimensões extraordinárias. O porta-voz do Slow Food no município retorna com uma vasta bagagem de conhecimentos e ideias para compartilhar e colocar em prática junto aos produtores locais, sempre com a intenção e a vontade de transformar as experiências vividas em oportunidades concretas para fortalecer a produção artesanal, ampliar a conscientização dos consumidores e dar visibilidade à riqueza alimentar que temos aqui.
Ezequiel disse ainda que, entre as possibilidades para as próximas edições do Terra Madre, está a presença de uma banca de comida brasileira. Ideia, de acordo com ele, incentivada durante o próprio evento, onde houve cobranças para que o Brasil amplie sua representação também por meio de seus sabores e preparações tradicionais.
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