Estado em alerta com o aumento de casos da doença de Newcastle
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- Primeiro foco foi detectado em uma produção de peru em Nova Itaberaba
Todos os registros confirmados até agora estão concentrados em granjas do Oeste catarinense. Produtores devem ficar atentos e redobrar os cuidados.
Em menos de uma semana a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), confirmou três focos da doença de Newcastle no Oeste catarinense. O caso mais recente foi identificado em Nova Erechim, durante ações de vigilância sanitária realizadas pelas equipes técnicas.
Segundo a Cidasc, o último foco envolve 9,6 mil aves que não apresentavam sintomas da doença. A identificação ocorreu após a confirmação de outros dois focos em granjas comerciais de criação de perus nos municípios de Nova Itaberaba e Coronel Freitas. O primeiro caso foi registrado em Nova Itaberaba, no dia 18 de outubro, enquanto o segundo foi confirmado em Coronel Freitas, no dia 23, a cerca de três quilômetros do primeiro foco.
Com o novo caso em Nova Erechim, o perímetro de vigilância sanitária na região Oeste foi ampliado em aproximadamente 9,5 quilômetros. As equipes seguem com os procedimentos previstos para investigar a circulação do vírus, monitorar as propriedades próximas e conter a disseminação da doença.
Em entrevista à Belos FM e ao Jornal Folhasete, a presidente da Cidasc, a médica- veterinária Celles Regina de Matos, explicou que, desde a primeira confirmação, as equipes estão concentradas na investigação epidemiológica, coleta de amostras e na adoção de medidas sanitárias. “Já no primeiro foco, na granja onde ocorreu o caso, fizemos o despovoamento, a desinfecção e estamos indo a todas as propriedades no raio de 10 quilômetros”, destacou a presidente.
O segundo foco foi identificado durante a análise de amostras coletadas na região. Na ocasião, a Cidasc informou que o caso envolvia uma granja com mais de 70 mil perus. Conforme os protocolos sanitários, o núcleo afetado passou pelos procedimentos de despovoamento e desinfecção. Com a confirmação do terceiro foco, as equipes precisaram intensificar as investigações nas áreas abrangidas pelo novo perímetro sanitário.
Ainda de acordo com a presidente da Cidasc “a hipótese é que tenha ocorrido contato entre as aves silvestres e os perus comerciais, possivelmente por falhas nas medidas de biosseguridade, ou seja, por água, por ração, por um calçado não trocado, por abertura nas telas ou nas paredes, houve algum contato das aves comerciais, no caso perus, com pombos”, explicou.
A orientação é controlar o acesso de pessoas aos aviários. “Para entrar na propriedade é necessário trocar calçado, roupa, não deixar qualquer pessoa entrar, somente os que trabalham dentro da propriedade”, recomendou Celles.
A presidente também buscou tranquilizar a população quanto ao consumo de produtos. “Não há evidências de transmissão da Newcastle pelo consumo de carne de aves ou ovos. O risco para o ser humano é baixíssimo. Mas pode acontecer quando uma pessoa, que não souber, acabar manuseando uma ave que esteja com a doença”, esclareceu.
Ela esclarece que a pessoa contaminada poderá apresentar sintomas como conjuntivite e sinal de coriza de uma gripe leve. “Repito, somente se houver a manipulação de aves doentes. O consumo das carnes e ovos, não transmite a Newcastle.
Exportações
Além dos efeitos sobre a produção, os focos também geram preocupação com o comércio internacional da carne de aves e ovos. A suspensão de importações do Brasil inteiro incluiu o México, que interrompeu a entrada de aves vivas, ovos, carne e miúdos, entre outros, e a Malásia que suspendeu carne e miúdos. Já países como a China, Arábia Saudita e o Chile restringiram a importação de carne de aves e produtos derivados específicos de Santa Catarina. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) segue em negociações para reverter as restrições e reforça que o consumo de carne inspecionada é seguro. “Sempre há preocupação com os mercados externos, porque a gente precisa acabar com os focos aqui, e mais 90 dias que é dado de segurança, para então, depois do último caso debelado, poder dizer que tudo volta ao normal nesses países que fizeram restrição, explicou a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos.
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