Momento de baixa na atividade
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- Adriano Fontana permanece firme, mesmo com todas as dificuldades
Produtor Adriano Fontana lamenta recuo nos preços.
A suinocultura enfrenta um novo momento de crise na região diante da queda contínua nos preços pagos aos produtores. O cenário, que no início do ano indicava estabilidade, rapidamente tomou um viés de baixa nos preços trazendo incertezas e preocupação para quem está na atividade.
De acordo com o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi, os números evidenciam a perda de rentabilidade do produtor. “No início de fevereiro, na integração, tínhamos um preço de R$ 6,80 ao quilo e agora caiu para R$ 6,15 para a venda de leitões. Já o preço do suíno terminado é ainda mais baixo, caiu agora para R$ 6,05 ao quilo”, destacou.
Segundo o presidente, o problema não se limita a fatores internos. “O mercado realmente está derretendo. Falam da guerra, do dólar, mas as indústrias estão repassando esse prejuízo ao produtor”, afirmou. Losivanio ressalta ainda que, diferentemente de outros elos da cadeia, “o produtor não tem para onde repassar esse prejuízo”.
A situação é ainda pior para o independente porque os custos de produção seguem elevados. “Os gastos dentro da propriedade são fixos e o suinocultor não consegue reduzir mais do que já reduziu”, explicou. Muitos produtores, segundo ele, já vinham de um esforço recente para enxugar despesas após crises anteriores.
No mercado independente, o cenário é preocupante segundo o presidente. “Chegamos a comercializar o suíno a R$ 8 ao quilo e hoje está abaixo de R$ 6, com tendência ainda de queda”, alertou. Esse movimento tem gerado insegurança generalizada no campo. “Tenho recebido inúmeras ligações de produtores querendo entender se vão conseguir sobreviver”, relatou.
Entre os fatores que explicam a queda, Lorenzi cita o aumento da oferta. “Hoje abatemos animais com 125 a 130 quilos, o que traz mais carne no mercado, além disso, ganhos de produtividade e reposição de matrizes ampliaram ainda mais o volume disponível”.
Losivano também aponta outros fatores como “a quaresma e o calor, que diminuem o consumo de carne suína. O resultado é um excedente no mercado interno, pressionando os preços pagos ao produtor”.
Apesar do cenário adverso, as exportações seguem em níveis elevados, o que ajuda a evitar uma crise ainda maior segundo o presidente. No entanto, isso não tem sido suficiente para equilibrar as contas no campo.
A expectativa, segundo Losivanio, é de uma melhora gradual nos próximos meses. “A partir do final desse semestre é que o mercado deve melhorar”, projetou. Datas como o Dia das Mães e a chegada do frio tendem a estimular o consumo.
Enquanto isso, a orientação aos suinocultores é de cautela e foco na gestão. “Primeiro é a sanidade, não podemos desanimar”, reforçou. Ele também alerta para a necessidade de crescimento responsável: “Crescer só com garantia de rentabilidade sobre o custo”.
Mesmo diante das dificuldades, Lorenzi mantém uma visão de continuidade. “Vamos seguir firmes, sempre acreditando e trabalhando a produtividade”, concluiu, destacando que a eficiência ainda é o principal caminho para a sustentabilidade da atividade.
Alternativa
Em meio a tantas incertezas e dificuldades na suinocultura, o produtor também precisa se reinventar e buscar o que mais lhe favorece. Atuando há cinco décadas na atividade e tendo passado por inúmeras crises, Adriano Fontana, que tem propriedade na região de Caraíba, aposta agora no sistema de comodato, onde, segundo ele, “não sentimos tanto os reflexos em períodos de crise, mas para o produtor independente a situação está bem difícil”. O suinocultor tem cerca de 600 matrizes de suínos da BRF, com a criação de leitões e destaca que “a suinocultura sempre foi de altos e baixos e permanecemos firme até hoje”.
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