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Praga registra menor incidência nas lavouras

  • - Manejo correto da safra atual refletirá na incidência da praga

CAMPO Baixas temperaturas auxiliaram na menor proliferação da cigarrinha-do-milho.

A cigarrinha-do-milho tem dado muita dor de cabeça aos agricultores. Mas um levantamento realizado pelo Programa Monitora Milho SC entre os dias 19 e 26 de janeiro apontou que houve uma redução de mais de 40% no número desta praga nas lavouras catarinenses.
Para falar sobre a questão, a reportagem do Folhasete conversou com o engenheiro agrônomo da Gerência Regional de Campos Novos e responsável regional pelo Programa de Grãos, Eduardo Briese Neujahr, um especialista no assunto. Eduardo inicia a entrevista esclarecendo que a cigarrinha-do-milho não é um inseto causador direto de problemas na cultura. “Ela é apenas um vetor. Portanto, para causar danos ao milho precisa estar contaminada com fitoplasma, espiroplasma ou com o vírus do raiado fino. Somente quando o inseto está contaminado é que pode gerar prejuízos à lavoura, que podem ser severos, chegando até a 100% de perdas”.
Foi justamente isso que causou grande preocupação há cerca de quatro anos, quando se constatou pela primeira vez uma grande incidência, resultando em queda expressiva na produção de milho no Estado. Desde então, a Epagri vem monitorando diversas áreas distribuídas por toda Santa Catarina para entender o comportamento tanto da cigarrinha quanto dos agentes contaminantes que ela pode transmitir. “Observou-se que, no início da safra, em alguns anos, há grande incidência do inseto, enquanto em outros a safra começa com baixa ocorrência”.
A variação ocorre principalmente em função das condições climáticas. “Em anos com geadas e frio intenso no Inverno há uma redução significativa no número de cigarrinhas nas primeiras lavouras implantadas. A geada é essencial para ajudar no controle da população do inseto”. Além disso, ressalta que após conhecer melhor o problema o agricultor passou a adotar outras estratégias, como o uso de híbridos mais tolerantes, já que não existem materiais totalmente resistentes, mas com diferentes níveis de tolerância e o plantio mais cedo, aproveitando períodos de menor população do vetor.
“O problema é registrado em anos em que o Inverno não é rigoroso, pois a safra já se inicia com alta incidência. Felizmente, nos últimos dois anos isso não aconteceu”. Relata que, à medida que o milho se desenvolve, especialmente após o estágio V8, torna-se mais difícil realizar aplicações de inseticida. Como a cigarrinha se multiplica apenas em áreas com lavoura de milho e, nessa fase, o controle químico fica limitado, a população tende a aumentar, especialmente nos meses de outubro e novembro.
Este ano houve uma mudança positiva. “Observou-se que a cigarrinha não apresentou grau de contaminação generalizado em todas as regiões do Estado. Em algumas regiões apareceu fitoplasma e em outras o espiroplasma, ocorrendo casos isolados do inseto contaminado. Ainda não se sabe ao certo o motivo, mas provavelmente está relacionado à baixa população inicial nos primeiros plantios, o que pode ter reduzido a disseminação dos agentes contaminantes ao longo do ciclo”. Fato que representa um benefício para o agricultor. “A Epagri segue monitorando tanto a primeira quanto a segunda safra. A recomendação para quem cultiva a segunda safra, especialmente nas regiões Oeste, Extremo -Oeste e Meio-Oeste, é manter atenção. Se o controle for negligenciado, o problema pode retornar com força na próxima safra”.

Cuidados

A orientação do engenheiro agrônomo Eduardo Briese Neujahr é continuar utilizando materiais tolerantes, mesmo na safrinha, já que muitos produtores precisam aproveitar a área para silagem ou produção de grãos. “Também é fundamental utilizar inseticidas com rotação de ingredientes ativos e, preferencialmente, intercalar inseticidas biológicos com químicos. É preciso manter o controle pensando na safra seguinte”.

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