Safra deve bater novo recorde
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- Colheita da soja deve ser superior ao ano passado
Apesar da boa perspectiva nas produções de soja e milho, excesso de oferta no mercado mundial pode pressionar preços e lucros.
Com o início da colheita da soja em todo o país, as perspectivas para a safra 2025/2026 seguem otimistas. Cerca de 20% da área prevista já foi colhida no Brasil e a expectativa é de um novo recorde histórico na produção, estimada entre 178 e 180 milhões de toneladas, volume que supera as 175 milhões registradas na safra anterior, até então a maior já alcançada.
De acordo com o vice-presidente da Faesc e presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Milho e Sorgo do Ministério da Agricultura e Pecuária, Enori Barbieri, o cenário positivo para a soja também influencia as projeções para o milho no Estado. Segundo o especialista, a safra do milho tem previsões superiores às do ano passado. “De 138 a 140 milhões de toneladas, já que o clima vem se comportando bem”.
Contudo, em relação aos preços, Enori Barbieri comenta que as condições não são tão favoráveis. “O mundo está com excesso de soja no mercado, as ofertas são maiores do que a demanda. Para os produtores rurais não terem prejuízo, eles têm que colher cada vez mais soja em menos área. Isso significa uma produtividade maior com custos menores, para poderem ter alguma lucratividade”. Ressalta que no ano passado os produtores não tiveram bons resultados em termos de receita e lucro, e neste ano, a expectativa é de que a rentabilidade no setor também não seja boa.
No caso do milho, Barbieri destaca que “esse ano a gente vai precisar de 100 a 104 milhões de toneladas para o consumo interno. Como vamos colher próximo a 140 milhões de toneladas, teremos uma sobra de aproximadamente 35 milhões de toneladas, que terão que ser exportadas, porque nós não temos estrutura no Brasil para armazenar soja e milho ao mesmo tempo. Então é um problema que o Brasil tem, tanto de logística para exportação e distribuição interna, como para armazenagem”.
Com toda essa produção, não há nenhuma perspectiva de falta de milho e farelo de soja neste ano. “Aqueles que dependem dos grãos, principalmente os produtores de suínos, aves e leite, para a ração desses animais, podem ficar tranquilos que teremos o mercado abastecido o ano inteiro, sem termos alteração de preço”. Acrescenta que o forte abastecimento favorece o crescimento da proteína animal. “Se tem uma previsão de aumento de produção de grãos, você pode ter uma previsão de aumento de proteína animal, já que há uma demanda mundial crescente por carnes de frango, suína e bovina. Você pode se projetar para o aumento da produção dessas carnes, já que há o insumo básico que é o milho e a soja”.
Catarinense
Com relação à produção de milho e soja em Santa Catarina, Enori Barbieri comenta que no último ano, os agricultores plantaram uma área maior de milho. “Nós plantamos em Santa Catarina 330 mil hectares de milho comercial para colher grão, e quase 250 mil hectares para silagem das vacas. Então, deveremos ter uma safra de milho comercial na faixa de acima de 2,5 milhões de toneladas. O produtor viu que uma lavoura de milho bem conduzida e com clima bom, é possível tirar uma rentabilidade maior do que a lavoura da soja, já que os preços da soja estão estagnados”.
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