Mobilização para ampliar procura
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- Rodolfo Henrique reforça que sem vacinação as doenças retornam
Maior parte da população searaense não está vacinada.
A baixa adesão às campanhas de vacinação tem preocupado as autoridades de saúde, pois reduz a proteção da população contra diversas doenças. Quando muitas pessoas se vacinam, cria-se uma proteção coletiva, conhecida como imunidade de rebanho, que dificulta a circulação dos vírus e bactérias.
Com a queda na cobertura vacinal, essa proteção enfraquece, aumentando o risco de que doenças antes controladas voltem a causar surtos e afetem um número maior de pessoas. O médico auditor da Secretaria da Saúde de Seara, Rodolfo Henrique dos Santos, informou que no município a busca por proteção vacinal ficou abaixo da meta. Foram aplicadas 3.954 doses da vacina contra a gripe, mas entre o público prioritário, que são idosos acima de 60 anos, crianças de seis meses a menores de seis anos e gestantes, a cobertura chegou a apenas 50,17%, com 2.611 pessoas vacinadas de numa meta de 5.204. “Alcançamos pouco mais da metade de quem mais precisa de proteção”.
Para o profissional, as principais causas da baixa procura são o cansaço vacinal e uma falsa sensação de segurança que se instalaram após a pandemia. “Quem não vê de perto uma pneumonia grave, tende a subestimar a gripe. A isso se juntam a desinformação que circula nas redes e a dificuldade de conciliar o horário de trabalho com a sala de vacina”.
Em se tratando especialmente de gripe e Covid, o médico destacou que a região está entrando em período de atenção. Salienta que o alerta da Fiocruz em 2026 apontou aumento de 42% nas internações por SRAG associada à Influenza A (H3N2) e Santa Catarina está entre os estados em nível de alerta, com tendência de crescimento. “E não é só gripe. Rinovírus, influenza A, Covid-19 e vírus sincicial respiratório circulam ao mesmo tempo”. A proteção, porém, está ao alcance de todos. A vacina do SUS cobre influenza A (H1N1), A (H3N2) e B e pode ser aplicada na mesma visita que a da Covid-19. “Um dado nosso resume a gravidade. No Inverno passado, mais de 60% das internações no Hospital São Roque de Seara foram por gripes e pneumonias, em boa parte evitáveis, visto que a maioria dos internados não havia sido vacinada”.
O médico informou que houve um relaxamento das medidas básicas, como lavar as mãos, ficar em casa quando se está doente e usar máscara em ambientes fechados, fato agravado pelas coberturas em queda. “Afrouxamos a guarda, mas o vírus não tira férias”.
Ele chama atenção da população. “Faço aqui um reparo importante. O Inverno chegou cedo este ano. O frio já se instalou e o pico das doenças respiratórias ainda está por vir, normalmente entre julho e agosto. Como a vacina leva cerca de duas semanas para proteger, o momento de se vacinar é agora. Nesta semana a vacina foi inclusive liberada para a população em geral, mas é fundamental que os grupos de maior risco se antecipem. Além de idosos, crianças pequenas e gestantes, hipertensos, tabagistas e pessoas com problemas respiratórios precisam se vacinar”. Pensando em quem trabalha em horário comercial, o ESF do São João abre às quartas-feiras até as 19h45 para a vacinação”.
Reforço
Rodolfo Henrique dos Santos lembra que manter os cuidados básicos evita problemas mais sérios. Como médico regulador e auditor, acrescenta um ponto que, segundo ele, costuma passar despercebido. Vacinar não protege apenas o indivíduo, mas a própria capacidade de atendimento do município. “Cada internação evitada é um leito livre, uma fila que não estoura, uma ambulância disponível para outra urgência. Prevenção é também gestão responsável do SUS”.
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