Preço do leite começa a reagir
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- Família Rubas, de linha Caçador, observa com cautela a reação do mercado
Família Rubas projeta cenário mais positivo na atividade.
Após um período de instabilidade e margens apertadas, a cadeia produtiva do leite começa a apresentar sinais de reação em Seara e região. A avaliação é do gerente do Fomento de Leite da Copérdia, Flávio Durante, que aponta uma retomada gradual nos preços pagos ao produtor, ainda que o cenário exija atenção e planejamento por parte de quem atua na atividade.
Segundo ele, os últimos anos foram marcados por dificuldades, especialmente na comparação entre os custos de produção e os valores pagos pelo litro do leite. Neste ano, os primeiros meses são de recuperação. “Iniciamos 2026 com os preços relativamente baixos ainda, mas em virtude de alguns fatores, em especial o início da entressafra na região Sul do Brasil, a produção começa a ser um pouco restrita e isso está fazendo com que os preços do leite comecem a se recuperar”, afirma.
Na prática, essa melhora já começa a ser percebida. Conforme o gerente, a Copérdia tem aplicado reajustes mensais ao produtor. “A Copérdia passou 10 centavos de aumento em janeiro, 15 em fevereiro e 20 centavos em março e agora para abril também está previsto um novo aumento no preço do leite”, explica.
O preço do leite estipulado pelo Conseleite, considerando o valor de referência, subiu de R$ 2,05 em janeiro para R$ 2,32 no mês de março. A expectativa é de que em breve os valores atinjam um patamar mais elevado. “A gente aguarda com ansiedade que os preços retornem a um nível em que os produtores consigam ter rentabilidade na atividade”, completa Durante.
Outro ponto importante para esse momento é o investimento nas pastagens de Inverno, que, além da silagem, são fundamentais para reduzir custos e melhorar a produtividade. “É fundamental fazer um manejo adequado do solo, escolher boas sementes e adubação, para garantir uma produção eficiente e sustentável”, pontua.
Quanto à preocupação com as importações exageradas de leite e derivados do Mercosul, Durante avalia que o Brasil ainda depende de leite vindo de países vizinhos. “O mercado é livre, então não tem como impedir a importação, principalmente de Argentina e Uruguai. O Brasil não é autossuficiente e precisa importar algum volume para atender o consumo interno”, explica.
Apesar disso, a expectativa é de equilíbrio. “A tendência é que as importações aconteçam no volume necessário, sem excessos. Em 2026 a produção brasileira não deve crescer, mas as importações devem ser semelhantes às de 2025”, analisa.
Mesmo com a reação nos preços, o produtor ainda vê um cenário difícil. Para o jovem casal Diana e Flávio Rubas, da linha Caçador-Seara, que trabalham com 48 vacas da raça Jersey em lactação, o prejuízo foi enorme nos momentos de crise. “Chegamos a ganhar menos de R$ 2 o litro, sendo que o custo de produção é elevado é será necessário mais de seis meses para se recuperar”, explicou Diana. Já Flávio enfatizou que o preço pago ao produtor deveria estar no mínimo em R$ 2,70 o litro para se manter e realizar os investimentos necessários. Também ressaltou que o produtor precisa fazer a parte dele. “Não adianta pedir preço se não tem qualidade no leite”. Lembrou ainda que é preciso gostar do que faz. “Às vezes tem que escolher as contas para pagar. Se não gostássemos, já teríamos abandonado a atividade”.
Orientação
Mesmo diante dos desafios, o gerente do Fomento de Leite da Copérdia, Flávio Durante, mantém uma visão otimista para o ano. “Eu acredito que 2026 vai ser um ano bom para a atividade leiteira e isso deve se confirmar ao longo do ano”. Por fim, Durante deixou um recado importante aos produtores, especialmente em relação aos investimentos. “Não dá para fazer o passo maior que a perna, mas também não dá para parar de investir. Quem parar, logo ali na frente pode estar fora da atividade”, alerta.
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