Adriana Bagestan absolvida por 4x3
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- Foram cerca de 12 horas de sessão na última quarta-feira, no Fórum de Chapecó
Ex-vereadora paialense foi julgada pela morte do companheiro em junho do ano passado.
Na última quartafeira, no Fórum da Comarca de Chapecó, foi realizado o julgamento de Adriana Terezinha Bagestan, 41 anos, acusada de assassinar o marido Sedinei Wawczinak, 42 anos, com um tiro na cabeça. O crime ocorreu em 2025.
O Salão do Júri esteve lotado, com familiares da vítima e da ré. A juíza Maria Luiza Fabris comandou a sessão. O promotor Michel Eduardo Stechinski atuou na acusação. A defesa ficou a cargo dos advogados Cleiber Cagliari e Ana Paula Signori. Familiares dos envolvidos usavam camisetas com mensagens como “justiça por Adriana” e “justiça por Sedinei”.
Pela manhã houve os pronunciamentos das testemunhas. O interrogatório da ré aconteceu à tarde. Entre outros pontos, Adriana relatou as agressões sofridas do então companheiro, sendo físicas, verbais, psicológicas, sexuais e patrimoniais. Explicou que tinha medo de denunciar, pois temia pela sua vida e de sua família. Uma das ameaças relatadas por Adriana, ocorrida na frente das crianças, foi de atacá-la com um facão e atear fogo na residência. Afirmou também que havia muitas dívidas feitas por Sidinei em seu nome. “Estávamos endividados até o pescoço. Eu atirei para proteger meus filhos”, acrescentou Adriana.
O promotor Michel Eduardo Stechinski destacou que, apesar das justificativas da ré, não havia razão para um assassinato. Enfatizou que não há um único boletim de ocorrência contra Sedinei por parte de Adriana. “Não encontro nenhum amparo legal para a atitude dela”, ressaltou Michel.
Já a defesa sustentou os argumentos citados por Adriana, pincipalmente o fato de ter a dívida e a ameaça relatada de incêndio e morte. Foram apresentados boletins de ocorrência de outras pessoas contra Sedinei que apontam ameaças e agressões. Ana Paula Signori também mostrou casos semelhantes pela região Oeste, onde a mulher foi a vítima e não havia boletim de ocorrência. A defesa alegou ainda que, como a maioria das dívidas estava no nome de Adriana, se ela morresse o débito acabaria e Sedinei se livraria de fazer a quitação.
Ao final, a decisão dos jurados foi de quatro votos a três pela absolvição. Familiares e amigos de Adriana, visivelmente emocionados, a cumprimentaram. Depois de quase oito meses presa, a ré saiu em liberdade do Fórum de Chapecó.
A sessão iniciou 9h e finalizou pouco depois das 20h. O homicídio ocorreu em 20 de junho de 2025, em linha Aparecida, interior de Paial. Conforme a investigação, Sedinei foi atingido por um disparo de arma de fogo na cabeça enquanto dormia, dentro da própria residência onde vivia com a acusada e os filhos. Após o homicídio, Adriana fugiu do local, mas foi localizada e presa posteriormente em uma área rural de Chapecó.
Recurso
O Ministério Público informou que ainda analisa a possibilidade de apresentar um recurso contra a sentença que absolveu a ex-vereadora paialense Adriana Bagestan. O MP se baseou no inquérito realizado pela Polícia Civil, que indiciou a ré por homicídio qualificado. O entendimento do Conselho de Sentença após as várias horas de depoimentos e alegações, no entanto, foi pela absolvição da acusada.
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